30/07/2010 - 11:53 Atualizado em 30/07/2010 - 11:53

Vendas de defensivos deve crescer em 2010

Cinco primeiros meses do ano estima-se um aumento de 5% nas vendas, aponta o IEA

IEA-SP

De acordo com pesquisas realizadas pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), nos cinco primeiros meses de 2010, estima-se um aumento de 5% nas vendas brasileiras de defensivos agrícolas em relação ao mesmo período de 2009. Contribuíram para isso, em grande parte, a queda dos preços dos defensivos agrícolas e o aumento nos preços recebidos de vários produtos agrícolas.

 

Em 2009, as quantidades totais vendidas de defensivos agrícolas no Brasil apresentaram expansão quando comparadas com o ano anterior. Observou-se que, em termos de produto comercial, foram comercializadas 725.577 t (acréscimo de 7,7% em relação a 2008), correspondendo a 335.816 t de princípio ativo (incremento de 7,4%, no período), de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (SINDAG). Foram movimentados R$12,88 bilhões no ano passado.

 

Participação das classes de produtos na quantidade vendida de defensivos agrícolas em 2009 (IEA/SINDAG)

 

Segundo os pesquisadores Célia Regina Orlandelli Carrer, Celso Luis Rodrigues Vegro e Maria de Lourdes Barros Camargo, nas principais regiões produtoras da agricultura paulista, em abril de 2010, a maioria dos defensivos agrícolas apresentou decréscimo nos preços quando comparada com o mesmo mês do ano precedente. Esse comportamento foi verificado em todas as classes estudadas: inseticidas, acaricidas, fungicidas, reguladores de crescimento e outros. De um total de 133 produtos pesquisados, em valores correntes, 117 produtos (88,0%) registraram decréscimo nos preços entre 0,4% e 51,0%, e 16 tiveram acréscimo entre 0,3% e 25,1%.

 

Por sua vez, em valores corrigidos pelo IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas (FGV), observou-se que 125 produtos variaram negativamente, entre 0,3% e 52,4%, enquanto 8 produtos apresentaram aumento entre o mínimo de 1,3% e o máximo de 21,5%. Portanto, quase a totalidade (94,0%) apresentou queda nos preços, em termos corrigidos, no mencionado período.

 

Na análise das relações de troca, constatou-se um desempenho distinto para os diversos produtos agrícolas. Em abril de 2010, as culturas do feijão, laranja para indústria, cana-de-açúcar, algodão e café beneficiado apresentaram relações de troca mais favoráveis, quando comparadas com abril de 2009. Houve assim melhora do poder aquisitivo dos produtores paulistas das referidas culturas para compra da cesta de defensivos agrícolas.

 

O aumento nos preços recebidos pelos agricultores contribuiu para isso, aliado ao decréscimo dos valores das cestas dos defensivos agrícolas. Por outro lado, em abril de 2010, as culturas do milho e da soja apresentaram perda de poder aquisitivo para compra de defensivos, quando comparadas com abril de 2009, tendo em vista a queda acentuada nos preços recebidos pelos agricultores no referido período.

 

Aliado ou vilão? - A problemática envolvendo a utilização dos defensivos nas lavouras brasileiras é atualmente um dos assuntos de maior destaque na mídia brasileira. Para os pesquisadores do IEA, os pontos de vistas são todos razoáveis e assumir um dos lados do debate traduz-se em insensatez. Enquanto 83% dos defensivos são utilizados nas grandes lavouras (soja, cana, algodão, milho e café), para os quais o processamento agroindustrial trata de neutralizar qualquer resíduo dos produtos empregados, os outros 16% despendidos nos chamados produtos frescos (hortaliças e frutas fundamentalmente) podem exibir traços de resíduos dos defensivos empregados.

 

A falha nesse debate consiste na falta de esclarecimento do que efetivamente quer dizer resíduo, avaliam os pesquisadores do IEA. Na maior parte dos casos, o problema é o emprego de defensivos não autorizados para determinada cultura. Quando um horticultor pulveriza seus canteiros de pimentões com defensivo liberado apenas para o feijão, produz esse resultado chamado resíduo. Diante disso, deve se alarmar a população que usualmente consome pimentão? A constatação do resíduo é uma não conformidade com a legislação vigente apenas.

 

O baixo investimento em pesquisa em culturas economicamente menos expressivas e a segmentação das empresas produtoras de defensivos (grãos e fibras, hortifrúti, café/cana/laranja) causam esse tipo de distorção, pois um produto aprovado para um tipo de emprego geralmente é muito eficaz em sua utilização no combate às pragas e doenças similares que ocorram em múltiplos cultivos. Porém, a firma que o desenvolveu não tinha de comprovar sua eficácia para toda uma série de produtos que compõem a agropecuária brasileira em suas previsões de experimentação. Exemplificando, fazem-se todos os testes regulamentares para o feijão, mas não para a mandioca e para a batata doce.

 

Deve-se se recordar ainda que os agricultores, majoritariamente, não são produtores especializados em um único cultivo. Na prática, possuem diversos cultivos que se sucedem ao longo do ano agrícola. Intercambiar o emprego dos produtos adquiridos dentro da exploração é um fato que se tornará comum, pois não há outra maneira de se conduzir de forma economicamente viável na produção rural.

 

Por fim, a previsão da indústria de defensivos agrícolas é de que em 2010 as vendas tenham um crescimento de 5% em relação ao ano anterior, em termos de produto comercial. Para a safra de verão 2010/11, existem expectativas de aumento do consumo na cultura da soja e cana-de-açúcar, em função dos preços estáveis no mercado internacional. Também são boas as perspectivas de maior emprego de defensivos no algodão, na laranja e especialmente no café, cujos preços dispararam no mercado internacional, em função da oferta global apertada.

Comentários

  • Nenhum comentário para esta notícia. Seja o primeiro a comentar.
AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Portal camponews.com. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Portal camponews.com poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.